domingo, 24 de janeiro de 2010

A vida é simples, seja feliz!

Tantas associações belas, fáceis e burras... Tanto afastamento da complexidade do mundo pela ilusão do entendimento simples... Por quê? É tão difícil se questionar?

Que mal faz ao intelecto dar-se conta de que as coisas não se ordenam em uma lógica bonitinha, como um filme de Hollywood que nos faz ter a satisfação de atores bem pagos fazendo aquilo que esperamos que fizessem ao longo de duas horas desperdiçadas?
De que tamanho é um ego que não suporta que a vida ao redor não seja encantada como as poesias que inventa para tentar disfarçar a desgraça que deixa acontecer enquanto dança em passadas descuidadas?
Há de se cobrar salário pra pensar? Ou deixaremos isso sempre a cargo de quem ganha mais, porque ganha mais; de quem ganha menos por que tem que “ralar”; de quem fala bem, pra corresponder; de quem não fala nada, pra compensar... Sempre a cargo de alguém a quem sabemos atribuir responsabilidade suficiente pra partir pra outra história, diferente, excitante, ilusória.

9 comentários:

  1. Oi Lu!

    Me parece que este post está sem título.

    Li logo que acordei hoje, estava de tão bom humor, mas seu texto conseguiu torpedear meu humor com poucas palavras.

    Acho que hoje o leite com soda me "desceu torto".

    Talvez seja um gosto amargo da primeira leitura. Logo de cara achei que a carapuça servisse, que minha adesão a um materialismo estrito fosse seu alvo, ao escrever "que as coisas não se ordenam em uma lógica bonitinha"...

    Entendo que no contexto a coisa não encaixa, você me conhece e sabe que meu materialismo é fruto de muita reflexão, e que essa reflexão continuará sempre.

    Entendo que o assunto seja a falta de reflexão, e não um vilipêndio das conclusões das quais você discorda.

    Mas eu acho que o que ocorre é que eu talvez esteja mal-acostumado, acomodado demais no meu materialismo. É claro que sempre tive em mente que as coisas são muito mais complexas do que é possível entender por esse ponto de vista, mas a crença em que é possível relegar essas coisas mais complexas - e mesmo abstratas - a um acúmulo macroscópico de elementos explicáveis materialmente em sua microscopia talvez tenha me deixado confortável demais, talvez tenha me tirado um aguilhão que me incomodava e propelia a questionar mais.

    De modo que eu penso de modo a que tudo se encaixa numa "lógica bonitinha". Como já lhe disse muitas vezes, `tudo é material ou energético`.

    Vou tentar digerir a coisa nessa direção. Obrigado pela bronca involuntária!

    Beijos,
    Rê.

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  2. Bom dia!

    Não era minha intenção acabar com o humor matinal de ninguém!
    Aliás, esse é o tipo de texto que não se importa muito com intenções. Só um monte de palavras que foram se enroscando na garganta com o tempo e que precisam ser jogadas fora vez ou outra, pra não entupir.

    Eu jamais usaria “associações burras” ou equivalentes para me referir a você. No máximo, descuidada. Ainda assim é interessante ver que o texto fez você repensar se o seu ponto de vista pode ser mais abrangente – não estou dizendo que deva acreditar em mais, mas considerar uma complexidade maior pode ser interessante.

    Realmente se foi uma bronca foi involuntária. No meu blog você não é meu alvo de crítica, mas meu comentador. Afinal, sinto liberdade suficiente para conversar pessoalmente com você a respeito do que me incomodar nas suas falas, o que é muito mais interessante.

    Beijos de leite
    Lu

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  3. Oi Lu!

    Sei, sei... Acho que você prefere conversar pessoalmente pois se depois de eu apresentar uma montanha de argumentos a meu favor, você me olhar com olhar de cachorrinho abandonado, eu acabo cedendo a discussão pra você! :D

    Falando sério, gostaria de saber como você diferencia essa sua necessidade de jogar idéias ruins pra fora com o reclamismo que você tanto critica.

    Imagino que você não veja problemas na reclamação em si mesma, mas apenas quando a totalidade das ações civis da pessoa se resume a reclamar. (O que não é o seu caso!)

    Algo mais?

    Ah, como assim descuidado??? Tá me chamando de brucutu-das-letras é??? :D

    Beijos!
    Rê.

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  4. Oi querida!
    Encontrei seu blog no do Galiani.
    Tudo bom? Saudadeee...

    Adorei tudo isso aqui, vou voltar sempre e já fiz uma citação lá no meu.

    "De que tamanho é um ego que não suporta que a vida ao redor não seja encantada como as poesias que inventa para tentar disfarçar a desgraça que deixa acontecer enquanto dança em passadas descuidadas?"

    Esse parágrafo descreve exatamente meus sentimentos no momento, quando li, fiquei arrepiada.

    Beijo enorme!

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  5. Oi Rê!!

    Acho que a linha entre desabafo e reclamismo é bem tênue. Reclamismo tem a ver com o que você disse. É mais freqüente, sem ser acompanhado de nenhuma providência efetiva a respeito do que se reclama. Atribui-se a falta sempre a terceiros e fica-se nisso.

    Mas quando estamos de saco cheio de alguma postura, fica difícil atuar que não pela palavra. Só que nesse caso, um desabafo ou outro podem suprir a revolta.
    Que tal falarmos desse “descuidado” pessoalmente? :D

    Beijo!

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  6. Oi Joice!

    Muito bom te rever por aqui!
    Já vou xeretar seu blog também! :)

    Beijão!

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  7. Oi Lu!

    Entendido - creio que já sei bem como você pensa sobre o reclamismo, mas é sempre bom perguntar, tanto para documentar quanto para te dar oportunidade de falar a respeito, caso tenha refletido algo nessa direção recentemente.

    Quanto ao descuidado, estou com medo de você ter dito algo análogo a "precisamos conversar"...

    Mas tudo bem - vamos falar disso ao vivo. Me ensina a ser cuidadoso? A fazer as coisas com carinho? A prestar mais atenção na pessoa à minha frente? A querer fazer sentir bem?

    Beijos!
    Rê.

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  8. Oi!

    Documentar o que eu penso pode não ser muito eficiente, dado que os pensamentos mudam conforme entro em contato com argumentos melhores, ideais que me convençam... Não que seja fácil convencer, mas sempre há a possibilidade, não?

    Quanto ao descuidado, estava é pensando em usar recursos visuais e auditivos pra não dar brecha para ofensas (adjetivos pessoais direcionados a alguém por escrito pode dar besteira)!

    Você já é tudo o que está me pedindo pra ser!

    Beijos

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  9. Oi Lu!

    Estou esperando pelos "recursos visuais e auditivos" ;)

    E quanto a ser ineficiente documentar suas idéias, deixe esse julgamento para os seus biógrafos :)

    Beijos historiográficos!
    Rê.

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