segunda-feira, 15 de março de 2010

Nem heróis nem bandidos

Não podemos confundir a pessoa com seus atos. Se alguém age mal, isso não pode ofuscar o significado do que fez de bom. Da mesma forma, atitudes benéficas não isentam ninguém de crítica por todos os seus demais movimentos.


Posso dizer com segurança que não conheço pessoas boas ou ruins; apenas comportamentos bons e ruins por parte das pessoas que conheço. Mesmo assim esse julgamento é fruto de uma lógica relativa, que varia de acordo com minhas questões internas e com meu grau de entendimento do que está em jogo.


Não posso negar que o desequilíbrio entre boas e más atitudes me faça julgar pessoas; mas focar em atitudes é acreditar na complexidade humana, e esforçar-se em analisar bem e comunicar bem os julgamentos feitos é uma demonstração de preocupação com o crescimento individual e coletivo.


Espero sabermos lapidar nossas atitudes. Por atitudes entendendo escolhas, posturas e interferências diversas no mundo, pelo sabotar, pelo fazer, pelo calar e pelo falar. Cada um desses movimentos produz conseqüências em cadeia, e por mais que não tenhamos controle da cadeia como um todo, temos responsabilidade pelo que provocamos (se não, precisamos começar a ter).


Mas como reagir quando somos chamados a escolher pessoas para nos governar, para assumir funções, para prestar serviços ou nos relacionar?
Nossa subjetividade entrará em jogo. Se tivermos compreendido a diferença entre pessoa e atitude, contribuiremos mais ao responder a hábitos bons ou ruins. Mas acima de eleger pessoas deve estar uma atitude de nos posicionarmos constantemente com relação ao que elas provocam.

Reivindicar políticas de nossos governantes, propor ajustes ao trabalho de funcionários, fazer sugestões e críticas serviços prestados e comunicar bem nossos sentimentos dentro de relacionamentos.

De outra forma seremos sempre vítimas de heróis e bandidos, que na verdade não existem.

terça-feira, 9 de março de 2010

Referir para refletir

Neste dia das mulheres tive a oportunidade de ver que muitas concepções questionáveis da mulher se mantiveram até agora, servindo de base, inclusive, para mensagens que supostamente nos celebrariam. Em rádios, bilhetes e e-mails notei mensagens calcadas de estereótipos dos quais gostaria de me libertar, mensagens valorizando posturas que não deveriam ser vinculadas apenas à mulher, mensagens exaltando o sofrimento e complacência femininos. Vejo que ainda temos muito a mudar.

Seguem exemplos de uma das mensagens:

“Nada mais contraditório do que ser mulher” – homens não são contraditórios?

“Mulher que pensa com o coração, age pela emoção” – Isso não é característica de toda mulher, e pode ser verificado em muitos homens sob o nome de “impulso”. Além disso, não é necessariamente um comportamento positivo.

“vive arrumando desculpa para os erros daqueles que ama” – isso não é postura de pessoa que preza pela justiça e nem pela evolução moral dos que ama.

“que se enfeita toda e perfuma o leito, ainda que seu amor nem perceba mais tais detalhes.” - Isso não é papel da mulher. Querer preservar uma relação deve ser papel dos dois, mas fazer esforços não reconhecidos e se orgulhar disso não deve ser papel de nenhum.

“Que, como uma feiticeira, transforma em luz e sorriso as dores que sente na alma, só para ninguém notar.” – Auto-repressão? E por acaso isso é virtude?
Para não dizer que não recebi uma mensagem bela, teve uma, que compartilho:

“Parabéns pelo dia das mulheres!

Eu nem sei como te elogiar apropriadamente com relação a isso - eu não penso em você como "uma mulher", mas como "uma pessoa".

Eu fico fascinado por você ter estado à mercê de uma sociedade - diabos, de um planeta - machista, sua vida inteira, e ainda assim você não se submete aos estereótipos, seja para se depreciar, seja para tirar vantagem.

Sua feminilidade é espontânea e desinteressada. Nada de "jogos", ou de falsidades - você é você mesma, e não uma atriz que atua num papel feminino.

E você dedica suas energias, seu tempo, sua vida a objetivos nobres e difíceis - mesmo vivendo num país de ignorantes que aceitam a ideologia do consumismo.

Você tem mais hombridade que qualquer machão por aí! :D

Ou talvez seja mais adequado dizer que o que se deve buscar é ser mulherzão.

Acho que é isso então: eu quero aprender a ser um pouco mais como você.

Muitos beijos, linda! Parabéns e aprofunde sempre sua nobreza!
Rê.”