domingo, 25 de abril de 2010

Batman para prefeito?

Tenho ouvido já há algum tempo a rádio CBN, em especial no jornal da manhã, falar dos problemas da cidade de São Paulo comparando-a a Gotham City e terminando com um chamado ao Batman, que segundo o jornalista e os ouvintes – que já puderam se acostumar com a chamada – seria o mais indicado para resolver os problemas da cidade.


A minha idéia de jornalismo e de jornalista é um tanto diferente disso. Vejo o jornalismo como serviço de utilidade pública, e o jornalista como um agente de denúncia e informação. Ao mesmo tempo em que essa postura pode ser considerada ingênua, me permite cobrar que aqueles que se declaram jornalistas honrem a profissão. Prefiro continuar apegada a alguns conceitos e lidar com a realidade tendo-os sempre em vista do que apenas alegar que a mídia é viciada e sempre será.


Assim, de acordo com essa concepção de jornalismo, esperava da rádio que lidasse com mais seriedade com o fato de que a cidade está passando por enchentes, buracos, trânsito parado e outras deficiências do serviço público. Esperava que, se não acionasse, ao menos apontasse os responsáveis por essa situação.Percebo que quando se trata de outras esferas do poder público, a rádio faz a denúncia; mas quando o assunto é a cidade de São Paulo, tudo acaba com a piadinha do Batman, mesmo após crítica com este conteúdo enviada à rádio e respondida pela diretora de jornalismo Mariza Tavares, alegando que as autoridades competentes continuam sendo procuradas, entrevistadas e questionadas.

Eu não tive a oportunidade de ouvi-las, e como ouvinte, acho no mínimo estranho.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Referir para refletir 2



Este é mais um e-mail eu recebi todo trabalhado em Power Point, com fotos clássicas de mulheres, no dia 8 de março. Ele foi enviado a mulheres que em meio ao seu trabalho:

Uma mulher:
-Aos 3 anos olha para si mesma, e vê uma rainha.
-Aos 8 anos ela olha para si mesma, e vê a Cinderela.
-Aos 15 anos ela olha para si mesma, e vê uma bruxa e diz: "mãe, eu não posso ir para a escola assim"!
-Aos 20 anos ela olha para si mesma, e se vê "muito gorda/muito magra, muito alta/muito baixa, com cabelo muito liso/muito encaracolado". Mas decide que vai sair assim mesmo...
-Aos 30 anos ela olha para si mesma, e se vê "muito gorda/muito magra, muito alta/muito baixa, com cabelo muito liso/muito encaracolado, mas decide que agora não há tempo para consertar essas coisas. Então sai assim mesmo...
-Aos 40 anos ela olha para si mesma, e se vê "muito gorda/muito magra, muito alta/muito baixa, com cabelo muito liso/muito encaracolado, mas diz: "sou uma boa pessoa" e sai mesmo assim...
-Aos 50 anos ela olha para si mesma, e se vê como é.
Sai e vai para onde bem entender...
-Aos 60 anos ela olha para si mesma, e lembra-se de todas as pessoas que já não podem ver-se ao espelho. Sai de casa e conquista o mundo...
-Aos 70 anos ela olha para si mesma, e vê sabedoria, risos, habilidades...sai para o mundo e aproveita a vida...
-Aos 80 anos ela não se importa muito em olhar para si mesma. Simplesmente pôe um chapéu roxo e vai divertir-se com a vida...
-TALVEZ DEVÊSSEMOS PÔR O CHAPÉU ROXO MAIS CEDO...

A mensagem claramente se propõe a generalizar o comportamento e os pensamentos das mulheres a partir da descrição de “uma mulher”. Feita a indicação, segue afirmando o clássico comportamento de mulher fútil, cuja maior preocupação é a própria beleza, da qual apenas se libertará quando for mais velha e não tiver muito mais o que fazer para mantê-la – nos padrões estéticos lançados pela mídia e reproduzidos por papagaios de cabeleireiro.

Até lá, essa mulher descrita vai ficar tentando se adaptar aos padrões, preocupada com o que vão pensar, gastando dinheiro com rios de cosméticos e alimentando sua insegurança às custas de outras causas que merecem mais atenção.

No final o texto sugere que TALVEZ isso não devesse ser uma preocupação, o que deixa implícito que é.

Felizmente eu conheço muitas mulheres que têm preocupações muito mais relevantes do que essa, não se encaixando na pretensa descrição das mulheres dessa mensagem, no mínimo, anacrônica.

Eu confesso que eu mesma já encarei as mulheres a partir de um padrão como esse, mas ao me deparar com mulheres que pensam, vivem, mudam o mundo e lutam por ideais muito mais nobres do que uma maquiagem perfeita posso dizer: não nos reduzam a isso!