sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Caminho sem volta



Usuária há alguns anos da internet, não posso negar que ela tem papel fundamental em quem sou e na pessoa que se desenvolve em mim. Mais do que a ferramenta em si, entretanto, o mais importante foram as múltiplas relações estabelecidas com pessoas.
Nessas relações tive a possibilidade de conhecer outras culturas, outras ideias e de encontrar gente que pensa mais como eu do que as pessoas do meu convívio físico. Algumas delas, importantes, passaram a fazer parte desse convívio a partir da empatia percebida pela internet.
Mas como toda relação entre pessoas, nem tudo foi flores. Se por um lado publiquei meu livro praticamente por meio virtual, também fui embromada por um projeto de antologia com péssima organização; se conheci pessoas com filosofias de vida impressionantes, também me deparei com outras que resistem a sair da mediocridade; se conheci meu companheiro, com quem hoje vivo e aprendo muita coisa boa, também conheci a ignorância humana manifesta de diversas formas.
Talvez a internet como ferramenta tenha sua parcela de culpa pelos caminhos tortuosos, afinal ela não permite aquele insight inicial, não nos fornece tantas informações a respeito das pessoas a ponto de nos permitir discernir cedo com quem estamos lidando, e podemos nos envolver em boas furadas por conta disso. Mas é essa mesma característica que me permitiu ampliar horizontes a despeito de preconceitos; e de ter conversas profundas com pessoas de outra língua, com a qual não trocaria muitas palavras cara a cara.
O que tiro disso tudo é que a internet é um bom instrumento, desde que nos mantenhamos atentos ao que ela pode permitir e cuidadosos com o que ela pode provocar; ou seja, desde que desenvolvamos nossa inteligência com relação ao tipo de relacionamento e aos sinais sociais que existem nesse meio.
Posso dizer que aprendi, que mudarei meu posicionamento de acordo com isso e que pretendo aprender muito mais nesse canal largo que se apresenta à minha frente.

Um comentário:

  1. Engraçado, o tema internet é tão presente na minha vida, e quando ele é colocado em questão, tenho mil-e-uma opiniões... Mas todas elas técnicas.

    Uso essa ferramenta quase que em tempo integral há muitos anos e conto nos dedos de uma mão as pessoas que conheci por meio dela.

    Acho que você eu devo contar no meu polegar, o dedo que dá sentido aos demais, que me permite agarrar com força as coisas boas da internet, da vida, a principal delas você :)

    Além de te elogiar quero te dizer uma coisa: são pessoas como você que humanizam estas ferramentas. É tão fácil e frequente nos escondermos no anonimato parcial da internet, e darmos vazão ao pior de nós.

    Estar atento às pessoas do outro lado do monitor, teclar as palavras como se estivesse tamborilando os dedos no braço de alguém, estou aprendendo isso com você.

    Te amo, virtual e realmente!

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