quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Admiração e empatia


Às vezes a vaidade me leva a crer que alguém é inteligente por me admirar.
E da mesma forma que a pessoa cria expectativas sobre mim a partir do que admirou, eu crio expectativas sobre a pessoa a partir do que eu acho que gerou admiração.
É como se uma ilusão de empatia absoluta se criasse.
Esqueço que cada manifestação nossa deixa vazar um pouquinho do que somos, e que mesmo esse pouquinho que deixamos vazar será apropriado por quem recebe de uma maneira totalmente própria. 
Pode ser que eu diga melancia e você entenda banana, e nem dá pra culpar ninguém por isso. A comunicação é um processo dinâmico. É a interação entre conjuntos de referências muito particulares. O emissor emite algo a partir das suas referências. O receptor recebe isso com o filtro das próprias.
Mas mesmo assim criamos expectativas. Porque em alguns belos momentos, a partir de uma manifestação, encontramos pessoas com as quais é possível trocar referências, leituras e ideias riquíssimas sobre a vida.
Eu encontrei meu companheiro de vida a partir de uma frase publicada em um blog. Não porque ele concordasse comigo em tudo. Na verdade ele discordava pra caramba. Mas porque encontramos na nossa maneira de discutir mentes que se atraem.

Por outro lado, existem pessoas que declaram imensa admiração por mim, mas cujos processos mentais estão a quilômetros de distância. Aceito a admiração por um favor ao ego, mas tenho que lembrar de não alimentar expectativas, e recomendo o mesmo.