segunda-feira, 6 de abril de 2015

A medida do metrô

Polícia, bomba, âncora do jornal ridicularizando... Já vi muita coisa acontecer diante de manifestações na capital paulista. Aí vejo na internet as pessoas comentando uma coisa diferente: que o metrô liberou as catracas para manifestantes. Isso é definitivamente novo. Não resisti a pedir à própria empresa uma confirmação e perguntar, é claro, a razão. Afinal, já vi algumas manifestações em que os organizadores pediram liberação de catraca e não obtiveram. Recebi a seguinte resposta:
“Em atenção a sua manifestação, esclarecemos que a liberação dos bloqueios na estação Trianon-Masp foi adotada como estratégia momentânea para garantir a segurança no local, dada a condição de risco decorrente do grande acúmulo de usuários na área do mezanino.”
Costumo ter facilidade para compreender decisões estratégicas, mas esta me pegou. Se o mezanino está lotado a ponto de comprometer a segurança dos usuários, deixar mais gente entrar no mezanino de graça garante a segurança como?
Enviei a nova dúvida ao metrô, que nunca me respondeu, apesar de ter recebido a confirmação automática de que a dúvida foi enviada e de ela estar registrada no site. De qualquer forma, me lembro bem que, quando eu morava em São Paulo, enfrentei plataformas lotadas diariamente, a ponto de funcionários do metrô terem que se deslocar ao longo da faixa amarela empurrando as pessoas para longe do vão. Casos de “usuário na via” eram frequentes, apesar de não noticiados. Ainda assim, nunca deixei de pagar passagem.

A vocês que eventualmente enfrentarem uma situação de comprometimento da segurança por lotação - que pela resposta do metrô imagino ser rara agora – sugiro que peçam gratuidade também.  

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Campanha: informação antes da opinião!


Acha que a ditadura serve pra trazer a democracia? Antes de pedi-la de volta, procure ler um livro sobre o processo político em que ela vigorou, ou veja um filme explicativo sobre o que acontecia com as liberdades das pessoas nessa época. Pode ler artigos, matérias da comissão da verdade ou mesmo material no YouTube, mas busque dados antes de concluir que é uma boa ideia. 
Acha que colocar todo mundo na cadeia pelo máximo de tempo possível em condições desumanas vai reduzir a violência? Pesquise estatísticas criminais de países que aplicam pena de morte, que têm cadeias lotadas, que têm maioridade penal diferente. Compare com países que investem na reeducação, que usam penas alternativas e que não mantém a pessoa presa por muito tempo. Use o Google. Se os dados soarem estranhos, busque pesquisas que expliquem por que eles são como são. 
Acha que quem realiza aborto é porque não tem religião, caráter ou empatia? Que a legalizãção faria com que todas as moças saíssem tendo relações desprotegidas com vários homens para abortar em uma manhã de domingo? Existem diversos relatórios sobre o perfil de quem comete aborto, suas principais razões, dúvidas, medos e consequências. Experimente buscar também pesquisas sobre o perfil de meninas que engravidam na adolescência, o ambiente familiar em que elas vivem, a moral defendida pelas famílias delas e por que elas não usaram anticoncepcionais, por exemplo. 
Acha que se uma criança foi criada por pais homossexuais ela vai se tornar homossexual e que isso vai contaminar todos os heterossexuais e levar ao extermínio da humanidade? Estude o que é a homossexualidade, desde quando ela existe, por quem foram criadas pessoas que são homossexuais, a porcentagem de homossexuais que há no mundo e a taxa de crescimento da população do planeta. Faça as contas: quantas pessoas teriam que ser homossexuais para que a existência da humanidade fosse ameaçada? Quantas pessoas que são heterossexuais tornaram-se homossexuais pelo contato com quem o é? Quantas vezes mudou gênero das pessoas por quem sentem atração a partir do momento em que conheceram alguém que tem atração pelo mesmo gênero?
Existem inúmeros exemplos, mas acho que deu pra pegar a ideia: 
Informação antes de opinião! É urgente.