quinta-feira, 28 de julho de 2016

Mensagens em garrafas

A internet permite dizer tanta coisa para o nada que me pergunto se não estaremos perdendo a capacidade de dizer algo para alguém. Quando jogo o que eu penso no universo a esmo, imaginando que talvez um dia alguém possa ler, estou abrindo mão da responsabilidade de transmitir qualquer coisa, sob o pretexto de que ninguém chegou ao que eu queria dizer.
Quem vai ler esse texto? Quem precisa dele ou quem estava aqui por acaso? Será isso o que procuramos? Nos expressar, não importando quem queira saber o que sai de nossos pensamentos?
E quando eu quero? E quando eu tenho um alvo, alguém para quem eu gostaria de dizer algo, que eu gostaria que pensasse a respeito, por cuja resposta eu anseio? Terei eu coragem de dizer diretamente, ou vou tentar usar as probabilidades da rede para tentar chegar a essa pessoa? E se não chega? Perco a mensagem no silêncio?

Pior: posso ainda interpretar o silêncio como uma resposta, quando poderia muito bem pedir uma de verdade, não imaginada, não covarde, madura. Em vez de indiretas, diálogos; em vez de proclamações de valores, debates. Mas tenho dúvidas sobre a nossa abertura a levar em frente trocas com outras pessoas, porque trocar implica se abrir ao que o outro tem a dizer, não apenas esperar que ele se abra para o que nós temos. 

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Indiscutível

Estou lendo as reflexões aparentemente filosóficas de uma universitária prepotente. 
Queria discutir com ela, mas não consigo. 
Ela escreveu, guardou, se formou, passou por mais um bocado de coisas nos últimos dez anos e agora, por alguma estranha razão, decidiu ler o que escrevia na faculdade. 
Só pode ser doida. 

domingo, 24 de julho de 2016

Quão aberto você é?



Você se permite mudar de ideia?

Se recebesse uma revelação de outra entidade religiosa diferente daquela que adorou a vida toda, mudaria de credo?

Se demonstrassem de forma bem fundamentada que o partido de oposição ao seu é melhor, mudaria o voto?

Como você reage ao que contraria o que você pensa?

Reflete ou reage?

Tenta entender ou vai direto aos argumentos de resposta, que lhe permitam manter-se confortavelmente igual?

Qual é a sua capacidade de mudança?