quinta-feira, 28 de julho de 2016

Mensagens em garrafas

A internet permite dizer tanta coisa para o nada que me pergunto se não estaremos perdendo a capacidade de dizer algo para alguém. Quando jogo o que eu penso no universo a esmo, imaginando que talvez um dia alguém possa ler, estou abrindo mão da responsabilidade de transmitir qualquer coisa, sob o pretexto de que ninguém chegou ao que eu queria dizer.
Quem vai ler esse texto? Quem precisa dele ou quem estava aqui por acaso? Será isso o que procuramos? Nos expressar, não importando quem queira saber o que sai de nossos pensamentos?
E quando eu quero? E quando eu tenho um alvo, alguém para quem eu gostaria de dizer algo, que eu gostaria que pensasse a respeito, por cuja resposta eu anseio? Terei eu coragem de dizer diretamente, ou vou tentar usar as probabilidades da rede para tentar chegar a essa pessoa? E se não chega? Perco a mensagem no silêncio?

Pior: posso ainda interpretar o silêncio como uma resposta, quando poderia muito bem pedir uma de verdade, não imaginada, não covarde, madura. Em vez de indiretas, diálogos; em vez de proclamações de valores, debates. Mas tenho dúvidas sobre a nossa abertura a levar em frente trocas com outras pessoas, porque trocar implica se abrir ao que o outro tem a dizer, não apenas esperar que ele se abra para o que nós temos. 

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