sábado, 22 de julho de 2017

Anestésicos mentais

Expressões negativas para calar o pensamento:
"pare de perguntar tanto", "pra quê saber disso?", "você vai acabar virando um chato".
Expressões positivas para calar o pensamento:
"tudo vai dar certo, não se preocupe", "confie que no final a resposta surgirá", "basta querer".

E se ousássemos pensar?

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Comparação inevitável

Discussão política na França: o que cada um acha que é melhor ou pior para o país.
Discussão política no Brasil: como eu posso acusar um partido e defender outro.
Em suma, foda-se o Brasil, o que importa é a briguinha de letras.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Sol

E um dia alguém apresentou-lhe o sol. Você ficou maravilhada com aquele brilho e beleza. Quis fazer um sol também. Pegou uma tocha dada por alguém que amava o sol como você  e marchou rumo à construção de uma grande chama, que nos aquecesse mais e iluminasse mais, por estar mais perto.
E quando a noite chegou, você viu quão importantes eram as chamas, cada uma delas. E o dia voltou, e a noite, e o dia... E você viu que as tochas eram tochas e o sol era o sol. Decepcionada pela distância do seu sonho, esqueceu o valor do fogo e até se acostumou com a noite, sabendo que seria alternada pelo dia e que você poderia até tirar proveito disso, descansando.

Mas as tochas permaneceram, e você achou bom. Alguém inventou a luz elétrica e você aproveitou. E de repente você se viu acostumada com a ideia de que existem noites e dias, tochas e sonhadores e construtores de luz, e de que o sol é um astro sempre presente na sua vida. Um astro no céu. E você se viu acostumada com o mundo, sem querer segurar uma tocha, sem querer mudar o mundo. Sem querer. 

sábado, 1 de julho de 2017

Metáforas

Vendo a política brasileira temos a sensação de que, ao viver na França, somos um casal sozinho em liberdade vendo nossa família e amigos sequestrados para toda a vida por pessoas que vão ficar fazendo teatro midiático enquanto roubam seus direitos e recursos. E além de sustentar um espetáculo de mal gosto, ainda tem gente que toma partido por um ou outro sequestrador.

terça-feira, 27 de junho de 2017

Carta a uma pessoa honesta

Durante a vida você vai encontrar muitas pessoas que conquistam sucesso injustamente e tantas outras com talento que não conseguem se promover.
Vai ver frustrações de partir o coração e injustiças de dar raiva.

Em alguns momentos será necessário simplesmente parar de olhar para a (in)justça do mundo e tentar o seu melhor para alcançar os seus sonhos, sabendo que não há garantia nenhuma de que você conseguirá, mas que pra conseguir é preciso tentar, e que se der certo, você tem todo o direito de usufruir disso, pois neste mundo, até a justa recompensa pelo seu esforço é um privilégio. 

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Publica-te

Publica-te e liberta-te do mundo tortuoso dos que se entregam ao que escrevem sem dar a mínima ao que quer que isso represente, deixando as palavras fluírem vagarosas, vigorosas como quando nasceram. Pareciam gritar antes de serem paridas, atormentar antes de serem organizadas no papel e se transformarem finalmente em um monte de palavras que agora parecem tão comuns.
Deixe que saiam correndo peladas, sem a vergonha que lhe colocam as pessoas com seus tapas de crítica afiada no amolador das experiências e opiniões particulares.
De que vale abandonar o mundo dramático em que reconheces a si mesmo em prol de uma tranquilidade mórbida, em que não se perca nem nada se ganhe, mas fica só tentando identificar um caco de passado angustiante entre espelhos perfeitos e falsos, feitos para exposição?
Publica-te e arrisca perder contato com o submundo dos poetas que teimam em serem eles mesmos a despeito da publicidade bem comportada e com contrato assinado. Põe na rua o teu drama, que por mais infantil que seja, quando publicado é a chave que abre a corrente de sentimentos e pensamentos que jorram sobre papel ou qualquer meio capaz de absorver palavras rebeladas contra as boas normas do que vai ser lido por seus críticos mais sem paixão.
Terás sim que podar as arestas no limite da sua coragem de autoexposição. Terás que limpar o sangue escorrido ao redor da obra, longe da vista dos passantes. Mas isso nunca vai te impedir de sangrar de novo, de sentir de novo genuinamente a emoção dos escritores descomprometidos com o público. Se abrires mão do público, no entanto, saberás sempre metade da história. A metade que mais aparenta dor, mas que é a mais acomodada; a que parece guardar tesouros, mas nunca foi avaliada. Arrisca-te a ser ridicularizado e desfaz algumas fantasias que podem estar te prendendo em um mundo de autoimolação.
Mas nunca esqueça, depois de sair a público, de voltar de vez em quando a jogar-se ao vento em letras perdidas, em pensamentos. Só assim as conexões com outros pensamentos bastardos se fazem poderosas. Só assim nos arremessa de novo ao fundo de que sentimos querer sair sem deixar de admirar a beleza.


quinta-feira, 27 de abril de 2017

Evite deixar que o trabalho consuma de você mais do que lhe revigora. Quando você estiver consumido, pode ter certeza de que a maioria das pessoas vai dizer que você não é bom o suficiente, não que a empresa não soube te valorizar.

domingo, 23 de abril de 2017

Confissão

Não vou me fingir de santa. Sinto raiva, tenho inveja, quero o mal. Tudo depende de quem, geralmente acompanhado de um porquê.
Luto conscientemente contra essas tendências, mas seria mentira se eu dissesse que esses sentimentos não me assolam.
Já me passaram muito a perna, já me maltrataram por mesquinharias. Se eu dissesse que amo todo mundo independente do que fez eu seria muito hipócrita.
Amo quem me dá razões para amar. Admiro quem é admirável. Quero o bem de quem estimo. Mas o mundo não é cor de rosa e eu não amo todo mundo, nem acho que todos mereçam.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

O mundo não é e talvez nem queira ser coerente.
Tem gente que passa o dia no Facebook e fala que não teve oportunidade de estudar;
tem gente que tem tudo de mão beijada e fala que tudo se ganha por mérito...
Tem gente.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Poderíamos aprender a ver mais de dois lados opostos na política, na economia e mesmo nas relações humanas. Mas desonfio que as pessoas não têm interesse nisso. Afinal, pra quê ampliar horizontes quando eu posso passar a vida disputando com o lado oposto? Se a minha vida não tem tantos desafios, então, o binarismo é um campo extemamente interessante. Eu distorço a realidade em prol do meu argumento e acuso meu oponente de distorcê-la pelo seu. Não é divertido? Tentar enxergar a realidade com nuances que não se encaixam nessa oposição não parece trazer tanta emoção.