quarta-feira, 14 de junho de 2017

Publica-te

Publica-te e liberta-te do mundo tortuoso dos que se entregam ao que escrevem sem dar a mínima ao que quer que isso represente, deixando as palavras fluírem vagarosas, vigorosas como quando nasceram. Pareciam gritar antes de serem paridas, atormentar antes de serem organizadas no papel e se transformarem finalmente em um monte de palavras que agora parecem tão comuns.
Deixe que saiam correndo peladas, sem a vergonha que lhe colocam as pessoas com seus tapas de crítica afiada no amolador das experiências e opiniões particulares.
De que vale abandonar o mundo dramático em que reconheces a si mesmo em prol de uma tranquilidade mórbida, em que não se perca nem nada se ganhe, mas fica só tentando identificar um caco de passado angustiante entre espelhos perfeitos e falsos, feitos para exposição?
Publica-te e arrisca perder contato com o submundo dos poetas que teimam em serem eles mesmos a despeito da publicidade bem comportada e com contrato assinado. Põe na rua o teu drama, que por mais infantil que seja, quando publicado é a chave que abre a corrente de sentimentos e pensamentos que jorram sobre papel ou qualquer meio capaz de absorver palavras rebeladas contra as boas normas do que vai ser lido por seus críticos mais sem paixão.
Terás sim que podar as arestas no limite da sua coragem de autoexposição. Terás que limpar o sangue escorrido ao redor da obra, longe da vista dos passantes. Mas isso nunca vai te impedir de sangrar de novo, de sentir de novo genuinamente a emoção dos escritores descomprometidos com o público. Se abrires mão do público, no entanto, saberás sempre metade da história. A metade que mais aparenta dor, mas que é a mais acomodada; a que parece guardar tesouros, mas nunca foi avaliada. Arrisca-te a ser ridicularizado e desfaz algumas fantasias que podem estar te prendendo em um mundo de autoimolação.
Mas nunca esqueça, depois de sair a público, de voltar de vez em quando a jogar-se ao vento em letras perdidas, em pensamentos. Só assim as conexões com outros pensamentos bastardos se fazem poderosas. Só assim nos arremessa de novo ao fundo de que sentimos querer sair sem deixar de admirar a beleza.


quinta-feira, 27 de abril de 2017

Evite deixar que o trabalho consuma de você mais do que lhe revigora. Quando você estiver consumido, pode ter certeza de que a maioria das pessoas vai dizer que você não é bom o suficiente, não que a empresa não soube te valorizar.

domingo, 23 de abril de 2017

Confissão

Não vou me fingir de santa. Sinto raiva, tenho inveja, quero o mal. Tudo depende de quem, geralmente acompanhado de um porquê.
Luto conscientemente contra essas tendências, mas seria mentira se eu dissesse que esses sentimentos não me assolam.
Já me passaram muito a perna, já me maltrataram por mesquinharias. Se eu dissesse que amo todo mundo independente do que fez eu seria muito hipócrita.
Amo quem me dá razões para amar. Admiro quem é admirável. Quero o bem de quem estimo. Mas o mundo não é cor de rosa e eu não amo todo mundo, nem acho que todos mereçam.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

O mundo não é e talvez nem queira ser coerente.
Tem gente que passa o dia no Facebook e fala que não teve oportunidade de estudar;
tem gente que tem tudo de mão beijada e fala que tudo se ganha por mérito...
Tem gente.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Poderíamos aprender a ver mais de dois lados opostos na política, na economia e mesmo nas relações humanas. Mas desonfio que as pessoas não têm interesse nisso. Afinal, pra quê ampliar horizontes quando eu posso passar a vida disputando com o lado oposto? Se a minha vida não tem tantos desafios, então, o binarismo é um campo extemamente interessante. Eu distorço a realidade em prol do meu argumento e acuso meu oponente de distorcê-la pelo seu. Não é divertido? Tentar enxergar a realidade com nuances que não se encaixam nessa oposição não parece trazer tanta emoção.